quarta-feira, novembro 29, 2006
sábado, novembro 25, 2006
quinta-feira, novembro 23, 2006
sexta-feira, novembro 17, 2006
dEUs
Se eu quiser falar com Deus
Preciso calar meus “eus”
Atingir o território profundo
Sabiamente horrível e amargo
Afastar pedras
Rasgar véu do mistério
Provocar a dor
Consolidar-me por dentro
Procurar meu dEUs
Preciso calar meus “eus”
Atingir o território profundo
Sabiamente horrível e amargo
Afastar pedras
Rasgar véu do mistério
Provocar a dor
Consolidar-me por dentro
Procurar meu dEUs
Se eu quiser falar com Deus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar
(Gilberto Gil)
quinta-feira, novembro 16, 2006
Milágrimas
Em caso de dor, ponha gelo
Mude o corte do cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo
Esqueça seu cotovelo
Se amargo for já ter sido
Troque já este vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada milágrimas sai um milagre
Em caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa
Coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra apenas, viva apenas
Sendo só fissura, ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço
A cada milágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre
A cada milágrimas sai um milagre
(Itamar Assumpção - Alice Ruiz)
Ansiedade
Ansiedade no peito
Acomoda e acinzenta
a usina de pensamentos
Acelera-me o coração,
agita-me o corpo.
Faz os dias iguais,
as noites vazias, tristes...
Estúpida inimiga
deseja tornar-me infértil.
Prender-me com suas garras,
arrastar-me nas trevas,
guerra, desespero.
quarta-feira, novembro 15, 2006
domingo, novembro 12, 2006
hoje
Gostaria de viver "numa casa de vidro", onde nada é segredo
e que está aberta a todos os olhares.
(André Breton)
Algumas pessoas passariam apressadas sem perceber a casa de vidro, sem o tempo e a paciência de buscar detalhes. A vida é muito curta para parar,
Outras parariam, olhariam com indiferença cada cômodo, seus móveis e sairiam sem manifestar agrado. Passariam também, pessoas curiosas, questionariam os moveis fora do lugar, alguns empoeirados e se afastariam. São os olhares de vitrine que olham e julgam.
Acredito que algumas pessoas tentariam colocar mais móveis no lugar, limpar algum canto, mudar alguma mobília e voltariam sempre para cuidar. Não sentiriam donos, mas teriam o prazer de limpar, remover as sujeiras, mudar o ambiente. Há pessoas amigas que protegem a fragilidade do vidro.
Outras parariam, olhariam com indiferença cada cômodo, seus móveis e sairiam sem manifestar agrado. Passariam também, pessoas curiosas, questionariam os moveis fora do lugar, alguns empoeirados e se afastariam. São os olhares de vitrine que olham e julgam.
Acredito que algumas pessoas tentariam colocar mais móveis no lugar, limpar algum canto, mudar alguma mobília e voltariam sempre para cuidar. Não sentiriam donos, mas teriam o prazer de limpar, remover as sujeiras, mudar o ambiente. Há pessoas amigas que protegem a fragilidade do vidro.
E quem sabe, uma única pessoa entre na casa e observe todos os detalhes antes
de remover a sujeira e mudar os móveis de lugar, sinta prazer dentro da casa e faça dela sua morada, entendendo o que ela tem pra oferecer. E que nela permaneça sentindo-se parte necessária e assim proteja algo tão raro e precioso.
sábado, novembro 11, 2006
terça-feira, novembro 07, 2006
Frio

Andei descobrindo muita coisa...
Expondo ao tempo, situações
uma mais 'apequenante' que outra...
expondo-as as intempéries
Servindo-as
para descobrir meu lugar aí,
alí menos...
E aprender a 'perspectivar' palavras,
dar-lhes o tom adequado,
com o peso dado forçando a garganta
da qual saem... solidões
Enfim, falando sozinho...