domingo, novembro 12, 2006

hoje

Gostaria de viver "numa casa de vidro", onde nada é segredo
e que está aberta a todos os olhares.
(André Breton)


Algumas pessoas passariam apressadas sem perceber a casa de vidro, sem o tempo e a paciência de buscar detalhes. A vida é muito curta para parar,
Outras parariam, olhariam com indiferença cada cômodo, seus móveis e sairiam sem manifestar agrado. Passariam também, pessoas curiosas, questionariam os moveis fora do lugar, alguns empoeirados e se afastariam. São os olhares de vitrine que olham e julgam.

Acredito que algumas pessoas tentariam colocar mais móveis no lugar, limpar algum canto, mudar alguma mobília e voltariam sempre para cuidar. Não sentiriam donos, mas teriam o prazer de limpar, remover as sujeiras, mudar o ambiente. Há pessoas amigas que protegem a fragilidade do vidro.

E quem sabe, uma única pessoa entre na casa e observe todos os detalhes antes
de remover a sujeira e mudar os móveis de lugar, sinta prazer dentro da casa e faça dela sua morada, entendendo o que ela tem pra oferecer. E que nela permaneça sentindo-se parte necessária e assim proteja algo tão raro e precioso.

2 comentários:

  1. Anônimo10:17 PM

    Muita saudade
    Memória sensual
    Modos suaves
    Movimento sensível.

    Mas subitamente
    Miro surpreso:
    Morada sorrindo,
    Móveis substituídos.

    Mesmo sabendo
    Mundo surreal,
    Morro suprimido.
    Mácula sobrando,
    Marasmo, sofrimento,
    Mudo, sozinho.

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  2. voltei aqui! a esta grande casa de vidro.

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